domingo, 30 de maio de 2010

Podemos resistir um dia

Quem sabe, procurou a morte como um náufrago procura uma ilha. Deve ter estado em muitas estações de metrô de madrugada, aguardando assaltantes que não vinham. Caminhou pelos bairros mais perigosos de Londres, em busca de um assassino que não se mostrava. Provocou a ira dos fortes, que não conseguiram manifestar a raiva. Até que conseguiu ser brutalmente assassinada. Mas, no final das contas, quantos de nós escapamos de ver as coisas importantes de nossas vidas desaparecerem de uma hora para a outra? Não me refiro aqui apenas a pessoas, mas também aos nossos ideais e sonhos: podemos resistir um dia, uma semana, alguns anos, mas estamos sempre condenados a perder. Nosso corpo continua vivo, mas a alma termina recebendo um golpe mortal cedo ou tarde. Um crime perfeito, onde não sabemos quem assassinou nossa alegria, quais os motivos que provocaram isso, e onde estão os culpados. E esses culpados, que não dizem seus nomes, será que têm consciência de seus gestos? Penso que não, porque eles também são vítimas da realidade que criaram — embora sejam depressivos, arrogantes, impotentes e poderosos.

A Bruxa de Portobello
Paulo Coelho

terça-feira, 18 de maio de 2010

Inútil.

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Eu também bebi daquela água.

- Você não parece louca - disse.
- Mas sou, embora esteja sendo curada, porque o meu caso é simples: basta recolocar no organismo uma determinada substância química. Entretanto, espero que esta substância resolva apenas o meu problema de depressão crônica; quero continuar louca, vivendo minha vida da maneira que sonho, e não da maneira que os outros desejam. Sabe o que existe lá fora, além dos muros de Villete?
- Gente que bebeu do mesmo poço.
- Exatamente. Acham que são normais, porque todos fazem a mesma coisa. Vou fingir que também bebi daquela água.
- Pois eu bebi, e é este, justamente, o meu problema. Nunca tive depressão, nem grandes alegrias, ou tristezas que durassem muito. Meus problemas são iguais aos de todo mundo.

Paulo Coelho - Veronika Decide Morrer
Página 25 - Capítulo 1

terça-feira, 11 de maio de 2010

A última carta

E o meu amado o que diria
Se eu partisse?
O que diria se estes versos
Não ouvisse?
O que teria em suas mãos
Senão um corpo dessangrado,
Cheio de carne, de suspiros,
De delírio apaixonado?
Faltaria, porém, o recheio das idéias,
A loucura e a razão,
Que transformam um encontro sem graça
Em tremenda paixão!
Mas não tema o meu querido
Que esse amor desapareça,
Pois ele é amado ao mesmo tempo
Por um corpo e uma cabeça.
O corpo ele pode beijar, cheirar,
Fazer do corpo mulher.
Mas a cabeça o possui, manipula
E faz dele o que quiser!
Haja o que houver, do meu amor
Esse garoto foi o rei.
Digam a ele que com corpo e cabeça
Eu sempre o amarei.
A marca desta lágrima testemunha
Que eu o amei perdidamente
Em suas mãos depositei a minha vida
E me entreguei completamente.
Assinei com minhas lágrimas
Cada verso que lhe dei,
Como se fossem confetes
De um carnaval que eu não brinquei.
Mas a cabeça apaixonada delirou,
Foi farsante, vigarista, mascarada
Foi amante, entregando-lhe outra amada,
Foi covarde que amando nunca amou!

Pedro Bandeira - A Marca de uma Lágrima
Capítulo 14 - Página 126

Da morte não sei o dia

Há o instante da chegada
E o momento da partida.
Quanta vida eu já vivi?
Quanta resta a ser vivida?

São dois espelhos quebrados.
Dois vezes sete de má sorte.
Já vivi quatorze anos,
Quanto resta para a morte?

É fácil vê-la chegando
Em cada instante que passe
Pois se começa a morrer
No momento em que se nasce.

Vou caminhando pra morte,
Não decidi meu nascer.
Da morte não sei o dia,
Mas posso saber!


Pedro Bandeira - A márca de uma lágrima
Capítulo 12 - Página 101

domingo, 9 de maio de 2010

Só pra iniciar...

Não sei porque abri tampouco espero que alguém leia. Só estou colocando as palavras desconexas que surgem na minha cabeça pra fora. Você não vai entender e eu não vou fazer questão que você visite isso aqui regularmente. Posto quando estiver afim. Não vou falar de mim, não vou contar histórias e nem criticar algo possivelmente interessante. Ou talvez o faça.